terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

PORQUE MEDITAR? PORQUE BUSCAR?

Por que meditar? Por que buscar?

Eu não digo que você deva meditar; eu não insisto nisso. É você que está buscando. E você tem que buscar.

É exatamente como se um homem doente perguntasse: "Por que tomar remédio?" Por que você está doente, eis por quê. Se você não está doente, então não há necessidade. Por que buscar a saúde? Não é preciso, se você está saudável. Mas se você não está saudável, então tem que buscar a saúde.

A meditação não tem sentido para um Buda, para alguém que alcançou a totalidade do seu ser. A meditação é um remédio; deve ser dispensada. A menos que você se torne capaz de prescindir da sua meditação, você não está saudável. Portanto, lembre-se: a meditação não é algo para ser carregado por todo o sempre. Chegará o dia em que a meditação terá completado o seu trabalho e não será mais necessária. Então você pode esquecê-la.

As pessoas vêm a mim e perguntam: "Quando você medita?" Nunca: eu não medito de forma alguma; não há necessidade. A meditação é apenas medicinal. Quando você está doente, em conflito, em miséria, ela é necessária.

E você pergunta: "Por que meditar?" Eu não estou dizendo que você deve meditar. Se você acha que é feliz, feliz consigo mesmo, se acha que não tem problemas, se acha que não tem preocupações, angústias, ansiedades, você não precisa meditar.

Mas você precisa. Todo mundo tem uma angústia muito profunda dentro de si, uma profunda loucura interior. E por causa disso você pergunta: por que meditar? Você pergunta por que está com medo. Através da meditação você pode perder a sua loucura, a sua ansiedade, a sua angústia, e você se acostumou tanto a tudo isso, habituou-se tanto!

Essa amizade se prolongou por tanto tempo que você vai se sentir solitário se se tomar saudável, muito solitário. Se uma pessoa tem vivido com dor de cabeça por toda a vida e, de repente, a dor de cabeça desaparece, ela sentirá como se tivesse ficado sem cabeça. Agora, ela não poderá sentir a própria cabeça!

Você está acostumado com as suas misérias. Elas lhe dão a sensação de existir. Se você não tem do que se queixar, você sente que não existe. Essa é a razão pela qual as pessoas se queixam todos os dias com todo mundo. Conversam a respeito de suas misérias e ficam muito felizes quando falam sobre isso.
Olhe para uma pessoa quando ela está falando sobre suas misérias. Ela sente que é alguma coisa. Quanto mais fala, quanto mais exagera o seu sofrimento, mais importante ela se torna. Olhe para o rosto de uma pessoa que expõe suas misérias. Parece que ela está em êxtase!

Se você vai a um médico e suspeita de um câncer ou de uma tuberculose, alguma coisa séria, e o doutor diz: "Não é nada. Uma aspirina resolve" - você se sente decepcionado. Um sofrimento tão profundo e ele diz que não é nada, apenas uma doença comum que vai desaparecer com um remédio comum. Você se sente como se tivesse sido deposto. Você estava sentado no trono do câncer e tudo não passava de uma doençazinha; um remédio qualquer vai curá-lo.

Você fala a respeito de suas misérias, de seus males, de suas doenças; você não engrandece. E quando você os glorifica, sente que você mesmo está sendo glorificado.

Por isso que a mente, a mente doente, pergunta: Por que meditar? A própria questão mostra que você precisa de meditação. O 'por quê', o próprio 'por quê'. Uma pessoa que não tem necessidade de meditação nunca pergunta por quê. Ela para de perguntar, porque todas as perguntas fazem parte da ansiedade. Se você está interiormente silencioso, em paz, feliz, você não pergunta.

Os filósofos são os mais miseráveis dos homens. Eles estão sempre perguntando: "Por que isto? Por que aquilo?" O constante "por quê" é uma doença interna. Olhe por este lado: só quando algo vai mal você pergunta por quê. Quando tudo está bem, você nunca pergunta por quê. Você pergunta por que há miséria; você nunca pergunta por que há bem-aventurança. Pergunta por que há morte; você nunca pergunta por que há vida. Pergunta por que há ódio; nunca pergunta por que há amor.

Quando há amor, não há perguntas a fazer. Você o aceita totalmente. Quando há ódio, surge a questão. Quando você está em estado de graça, nenhum questionamento, nenhuma investigação, nenhuma filosofia aflora. Quando você está angustiado, sofrendo, você pergunta: "Por que isto? Por que estou sofrendo? Por que todo mundo está sofrendo?" Só quando algo vai mal as perguntas aparecem. Quando tudo vai bem, não há questionamento. Você aceita a existência em sua totalidade.

Portanto, lembre-se disto: se você tem um "por quê" você precisa de meditação, porque sem meditação o "por quê" não irá desaparecer.

E a resposta vem apenas para os que pararam de perguntar. A resposta só pode ser compreendida pelos que não estão dispostos a questionar. Uma mente inquisitiva não está disposta a ouvir. Continuará questionando.

As perguntas são geradas na mente como as folhas crescem numa árvore. Se sua mente está mal, as perguntas aparecerão. Só se sua mente desaparecer e a totalidade e a saúde interiores forem conseguidas, as perguntas cessarão.

E quando não há mais perguntas, você alcançou a resposta derradeira. A resposta suprema não está nas palavras. Você a vive;você se transforma nela.


Osho, em "A Nova Alquimia"